“Sergipe se tornará a nova província petrolífera do Brasil com a descoberta de óleo leve em águas ultraprofundas na bacia Sergipe-Alagoas”. A revelação foi feita por Eugênio Dezen, Gerente de Negócios e Exploração de Petróleo em Sergipe e Alagoas, durante a sabatina da 36ª edição do Cabaret, na quinta-feira (23) à noite.
Eugênio Dezen nasceu no Rio Grande do Sul, é casado, pai de dois filhos, tem formação em geologia,chegou a Sergipe em maio de 1981 e ocupa o cargo de Gerente-Geral da Petrobrás- Unidade Sergipe/Alagoas. “Já tenho mais vida em Sergipe do que em qualquer outro lugar. Sou extremamente feliz aqui”, confessou.
A expectativa do gerente da Petrobras é de que a nova jazida meça em torno de 70 a 80km² e possa começara operar entre dois e seis anos. “É a maior jazida já descoberta em Sergipe,” comemora Dezen, acrescentando que a “Barra”- como foi batizada a reserva, já concorre em dimensões com o Pré-sal.
Ele informa que, atualmente, Sergipe dispõe de 26 plataformas de petróleo, das quais somente três não estão em operação. São 2.800 poços, com 600 injetores de água e 600 injetores de gás.
Mercado de trabalho - O gerente de negócio da Petrobras prevê imediata abertura do mercado de trabalho no setor com a instalação de 3 empresas internacionais e de grande porte em Sergipe, para desenvolver estudos de localização, dimensão, expectativa de produção e especificidades do óleo existente nas águas ultraprofundas da bacia. Eugênio Dezen também anuncia realização de concurso público para Sergipe, já em 2012, oferecendo 150 vagas para o nível médio e 50 para nível superior. Ele também revelou cronograma da Petrobras nacional para realização de três grandes concursos públicos no próximo ano.
Outra informação alvissareira dada por Eugênio Dezen no Cabaret foi a expectativa de abertura de vagas para cargo de tecnólogo da Petrobrás já a partir de 2012. “Existe estudo sendo desenvolvido entre o Ministério da Educação e o Departamento de Recursos Humanos da Petrobras para criação destes cargos já a partir do próximo ano”, confirmou.
Piranema - Dezen explicou que, atualmente, a plataforma de Piranema, localizada no município de Estância/SE, não dá prejuízos, chegando a produzir em torno de 10 mil barris de óleo por dia. Embora, reconheça que a expectativa inicial fosse da produção de 30 mil barris/dia.
“A grande riqueza de Piranema é o modelo geológico implantado lá. Foi através deste posto que conseguimos enxergar ‘Barra’. Agora dizer que Piranema dá prejuízo é demais. Neste local, produzimos cerca de 10 mil barris/dia. Para uma plataforma ser viável basta produzir entre 3 mil e 3.500 barris/dia”, esclareceu.
“Com a descoberta de Piranema, conseguimos, junto à Petrobras nacional, adquirir mais oito blocos de exploração e espalhamos por todo o nosso litoral. Foi a partir daí que descobrimos ‘Barra’, que fica localizado a 90 km de Aracaju, 50 km da costa e 78km do Porto de Sergipe”. Dezen não fala com exatidão quanto à localização da nova reserva.
Produção - Segundo Eugênio Dezen, Sergipe ocupa o 5ª lugar no ranking nacional de produção de barris de petróleo, já superando o vizinho estado da Bahia. Ele acredita que a descoberta dos novos poços possa elevar a participação de Sergipe aos primeiros lugares em produção nacional.
“Na verdade são duas áreas de descoberta. Uma que fica a 2.500m de profundidade e a outra fica a 4.900m. As duas têm um petróleo leve, condensado e com bastante gás”, confirmou, sem querer fazer estimativa prévia de produção. “Podemos dizer que são maiores que todo o petróleo explorado no Estado atualmente. Isso trará para Sergipe várias empresas multinacionais”, previu.
O gerente de negócio da Petrobras reconhece que uma das maiores dificuldades a ser superada, nos próximos anos, pelo setor, será a captação de mão de obra especializada. “Isto é realmente um problema”, lamentou.
Eugênio Dezen também estima que, até 2014, Sergipe dobre sua capacidade de produção e aumente a oferta de postos de trabalho em decorrência de investimentos em renovação, máquinas e equipamentos nos campos de Carmópolis, Siririzinho e Riachuelo. “Queremos que Carmópolis chegue aos 50 anos de exploração com um campo todo novo. Com esses investimentos, serão abertas mais de 2.200 vagas de trabalhos. O campo de Carmópolis estará contratando 1.200 pessoas. Siriri abrirá 600 postos de trabalho e Riachuelo mais 400”, anunciou.
Autossuficiência – Questionado sobre a autossuficiência em produção de petróleo, conquistada pela Petrobras no Brasil, sem configurar redução de preço dos combustíveis para o consumidor, Dezen explica que o preço do combustível sofre regulação do chamado “Encontro de Chegada”, que é um acordo internacional que obriga a manutenção do equilíbrio do preço do petróleo interno com o externo.
Para Eugênio Dezen, a grande vantagem da conquista da autossuficiência em petróleo está na independência do Brasil em relação ao mercado internacional, não correndo risco de sofrer crise de desabastecimento nacional, como ocorreu na década de 70, quando o país ameaçou calote na dívida externa e ao FMI para garantir sustentabilidade nacional.
Social – Na avaliação do gerente, o preço do combustível não guarda qualquer relação social no Brasil, nem tem o princípio de promover benefícios diretos à população. Ele entende que uma alternativa seria de compensação do preço dos combustíveis para o transporte público, mas, atendendo aos critérios políticos e não técnicos.
Eugênio Dezen insiste que o atual preço de entrega do óleo às distribuidoras é o mesmo praticado em 2003.“Existe um acordo entre as refinarias e o governo. Quando o petróleo sobe de preço, esse aumento não é repassado para o consumidor. Quando o produto também fica mais barato, o consumidor não é beneficiado para compensar as refinarias. Mas, claro que tudo tem uma exceção. Se o aumento ou a queda for muito grande o consumidor vai sentir no bolso”, reconheceu.
Por Eliz Moura (Faxaju)
